A toda hora, alguma coisa chega ao fim em nossas vidas, em constante mutação, o velho dando lugar ao novo. Só que não, ainda não é o fim do mundo
Somos todos efêmeros, mas vivemos sobre a sombra de uma soberba que nos faz pensar como gigantes, imortais, super-homens, vivendo uma eternidade diária, que se põe junto com o sol.
Gostaria eu de ter essa possibilidade, a persistente juventude, no corpo e na alma, mas sei que os dias, melhores ou piores, sempre vêm, um após o outro.
Hoje, se faz importante agradecer, outra vez, por tantos e tantos momentos bons e inesquecíveis vividos na companhia dos velhos amigos do peito, da família sempre presente, da minha filha-luz da minha vida-amor eterno, Isabela, e todos os coadjuvantes que, de jeito ou outro, me ajudaram a desenhar e entender os caminhos da vida.
Não, ainda não é o fim. Sabemos, cada vai ter o seu, e esta coisa de esperar o fim do mundo nada mais é do que uma massiva representação do egoismo humano, tentando se conformar e justificar o medo de deixar tudo para trás. Ninguém quer experimentar o desconhecido sozinho.
Hoje eu deixei minha cama muito mais cedo do que gostaria. O mundo continua rodando, no céu a única bola de fogo visível é o Sol e com certeza todas as compras do Natal deste ano terão de ser pagas no ano que vem.
Então, chega de lero-lero e todo mundo voltando ao trabalho!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
sem querer
e quando as palavras em mim calam
ousam dizer muito mais
do que eu em alta voz
seria capaz de fazer.
quanto mais tu se afastas
mas eu meu aproximo
nesse ter sem ter
querendo sem querer
sou, como sempre
um retrato de mim
ousam dizer muito mais
do que eu em alta voz
seria capaz de fazer.
quanto mais tu se afastas
mas eu meu aproximo
nesse ter sem ter
querendo sem querer
sou, como sempre
um retrato de mim
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Nunca é tarde pra dizer
Foi à primeira
vista, tenho certeza. Desde a primeira vez em que te vi, algo se acendeu em mim. E tem coisas que a
gente não sabe muito como explicar, quando vi já era, como se desejos do
passado se materializassem no meu corpo. Interessado, fui atrás, fiz contato,
telefonemas, conversas olho o olho até que finalmente você estava comigo.
Lembro de
praticamente tudo, nossos primeiros momentos juntos, nossos passeios pelas ruas
da cidade. Eu estava mesmo feliz e desde o inicio tive pra mim que seria uma
relação pro resto da vida. Tudo, enquanto novidade, é prazeroso e parece não
ter fim.
Sempre gostei
do teu estilo, das tuas formas, das tuas curvas, essas coisas que desde quando eu
era ainda um adolescente já me despertavam desejo.
Porém, passado
o tempo de novidade, aquele interlúdio de embriagues saudosista, algumas coisas
começaram a realmente me chatear, e eu já não me sentia mais tão feliz como de
início. Seus defeitos começaram a saltar aos olhos e eu, incomodado, tentei
mudar algumas coisas em você, e algumas até consegui, adaptando e me adaptando
a tudo.
Eu sei, e devo
admitir que fui negligente em vários momentos, ignorando os teus sinais de que
alguma coisa não andava bem, que você estava precisando de um pouco mais de
atenção, e eu demorei pra perceber isso. Outras vezes também, em que eu
ultrapassei os teus limites, exigido mais do que você poderia oferecer. Mas o
que eu podia fazer, eu queria que fosse perfeito.
Para quantos
lugares fomos juntos. Passamos bons e maus momentos. As vezes que fomos pro
sitio, em que eu bebia além da conta, só resolvia que era hora de dormir quando
já não suportava o peso dos olhos e, sem força pra nada, me aconchegava e acaba
dormindo dentro de você, sem mais.
Nunca fui de
sentir muito ciúme, e por isso deixei você sair com outras pessoas, que tenho
certeza, nunca teriam por você o mesmo carinho e atenção. Sei que passei muitas
vezes por você, sem querer prestar atenção, sem te olhar diretamente pra não
ver coisas que me deixariam triste. Quantas e quantas vezes eu já pensei, e
confesso, tentei me livrar de você. Mas não pude... e ainda não posso.
Então, o que
me resta é dizer aquilo que nunca disse, ao menos não em voz alta, isso que
sempre esteve guardado dentro de mim e que é a mais pura verdade: meu Opala
querido, eu te amo!
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Terça-feira
Tenho a semana inteira pela frente, pra produzir e desfrutar das coisas que eu realmente gosto e preciso. Quem sabe eu cozinhe, ou faça algumas conservas, regule o instrumento de um amigo que o confiou a mim.
Talvez hoje eu ouça a discografia dos Beatles, seguindo a ordem cronológica, fazendo um pequeno parênteses quando chegar em With a little help from my friends e Something para ouvir as versões do Joe Coker e, apenas por essa semana eu troque o meu Beatle preferido pelo Beatle George, ouça All things must pass de cabo a rabo e me concentre em sua genialidade.
Posso, ainda, dispensar todo o meu tempo em concluir a leitura de Ao norte de mim mesmo, e me identificar com Noah Villas-boas, com seu estúdio caseiro, suas neuras amorosas, a idolatria pelo Lennon e seu complexo de Peter Pam.
No meio da semana, o encontro com a Matilha, cerveja, churrasco e Rock and Roll. Muitas risadas e a ressaca do dia seguinte - preço justo a se pagar por desfrutar da companhia dos amigos.
Ver filmes, sentir saudade. Tocar no violão alguma canção e sentir saudade. Olhar aquele porta-retrato e sentir saudade. Deitar a cabeça no travesseiro e sentir saudade. Acordar pela manhã e sentir saudade. Mas, que nada. Outubro tá ai.
Os dias não são assim tão diferentes, nem a rotina que se segue. O que muda é o olhar que deposito sobre eles. Então, se a escolha é minha, farei tudo isso com um sorriso na cara.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
um click
Momentos de fotografias.
Pose e sorriso.
o tempo para
um instante de eterna alegria
um click, e a vida continua
depois, vem a nostalgia
que as vezes consome
com nome de lembrança
e saudade.
Pose e sorriso.
o tempo para
um instante de eterna alegria
um click, e a vida continua
depois, vem a nostalgia
que as vezes consome
com nome de lembrança
e saudade.
domingo, 9 de setembro de 2012
ao medo
E se de repente os domingos
começassem a fazer sentido e não mais fossem o tédio de uma tarde de chuva com
filme na TV?!
Quem sabe da falta de zelo de um
ego arrebatado surgisse a luz, mesmo que a de uma lua minguante, e o tempo,
Senhor do Destino - e que não sabe de nada - a quem atribuímos tamanha
responsabilidade por nossos atos escusos, nossas fraudes impensadas, nossa
esperança no "amanhã", parasse de fazer diferença no curso
ininterrupto da vida.
O medo do ontem que tira a
coragem do amanhã. Pirando errado, deixando de fazer a diferença, depositando
em alheios a carga de se fazer feliz, e não em nós mesmos. Medo... medo...
medos. Os dias vãos, pessoas vêm e vão. Os fios brancos teimam em aparecer, um
a um. Não há jeito. O perdão que não nos damos, a coragem que não temos.
Mais um domingo chega ao fim.
Logo será amanhã de novo. Que bom. Assim, se renova a esperança naquilo que
ainda virá!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
melhor assim
Quem sabe já seja a hora de eu trocar os tênis, sempre sujos, por sapatos bem engraxados e lustros, o jeans surrado e as camisetas multicoloridas por calça e camisa de botão.
Quem sabe eu tenha que cortar o cabelo, aparar a barba, beber menos, ler mais, caminhar mais. Olhar as ruas da cidade, mudar o caminho, mudar o rumo, acertar o foco. Isso tudo eu sei.
Eu poderia por cordas novas na velha gu
itarra. Escrever mais uma canção. Mas será que ela ainda combinaria com com o sapato e a camisa de botão? Talvez nem com o cabelo.
Eu quero ser eu mesmo e ao mesmo tempo ser diferente. Quero estar com meus velhos amigos e também poder conhecer novos. Mas, me diz: Como? Se eu faço tudo sempre igual!
E você, já teve a impressão de que por mais que você se esforce, as coisas parecem sempre caminhar no sentido oposto do que você procura?
Eu sei, pode ser um pouco de pessimismo exagerado para uma manhã ensolarada de sábado. Uma ressaca psíquica, cheia de amoralidades. Logo passa.
Ah, e sobre o sapato e a camisa, esquece! Deixa pra outra ocasião. Continuo com o velho tênis, mesmo. Assim é melhor.
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