terça-feira, 17 de outubro de 2017

Seis Setênios

Outro dia, conversando com um amigo, este me falou sobre uma teoria de que, a cada sete anos, tudo se renova em nossa vida. É a chamada teoria dos Setênios, que pelo que andei pesquisando é baseada na observação da natureza, da qual todos fazemos parte, e também tem valor em várias culturas pelo mundo afora onde o número sete parece ser mesmo místico.

Enfim, parece que completei seis destes ciclos e, dando a isso a devida importância ou não, hoje estou iniciando o sétimo ciclo de sete anos. Possivelmente, nenhuma mudança drástica aconteça mas, de qualquer forma, espero que venha com muitas "boa-venturas".

Quero seguir com fé e passo firme, agradecendo sempre a presença das pessoas que amo, minha filha, minha família e meus amigos do coração.

Quero que a música nunca pare, porque preciso ainda de muitas noites de palco mal iluminado, cervejas geladas e guitarras gritantes, mas espero que o retorno de vocal esteja sempre bem equalizado e forte, por que com a idade a voz e ou ouvidos estão ficando mais fracos.

Que Deus me permita ainda viver bastante com saúde, paz, alegria e em boa companhia. Amém!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

fogueira e luau

Somos música, somos fogo.
Respiramos a música no ar da noite enfumaçada,
aquecendo nossos corações analógicos enquanto o sereno cai suave sobre a pele.
São coros de vozes nem sempre tão afinadas, mas quando juntas capazes de calar o mal e propagar a semente do bem.

terça-feira, 7 de março de 2017

Combustível

Eu acho que já tive um pouco de tudo da vida, mas sempre tive em mim uma certa parcela de descontentamento que nunca me deixou sossegar, e por outro lado me manteve sossegado até demais.

Já tem um tempo que eu venho cansado. Cansado dos dias, do tempo, das pessoas, de mim. Eu me olho no espelho e a pessoa que reflete nele não tem mais tanto a ver comigo. Minha casca tem envelhecido muito mais que eu mesmo e essa dissonância entre o eu de dentro e o eu de fora tem me incomodado bastante.

Tenho estado tão envolvido e conformado com a rotina de anos que o tempo deixou de ter significância e eu me deixo arrastar como um zumbi afônico, entre murmúrios que lamento, mas pouco faço pra achar a cura. Parece que o ar que eu respiro já não queima como deveria e o cérebro responde lentamente.

Apenas sinto que algo me falta e há tempos não consigo achar o sentido sobre as coisas que vivo, então apenas deixo os dias irem passando, um a um.

Perdi um pouco da fé nas pessoas, nos relacionamentos, nos amores. Talvez por saber, ou exatamente por saber que tudo só faz sentido quando compartilhado de maneira equilibrada e verdadeira, essa sensação de solidão não se desfaça tão facilmente.

Seria mesmo fácil se pudesse me servir de momentos insólitos, e conectado a uma tomada qualquer tivesse minha energia e determinação restauradas, meus planos e sonhos não se perdessem nesse véu embriagado, em passos trôpegos e luzes difusas. Mas, me vejo meio mecânico e apenas sigo encostando aqui e ali para um pouco mais desses combustíveis multifuncionais que me levam um pouco mais longe, mas nunca me deixam realmente completo.

Eu sei que tudo isso parece meio pragmático demais e que, se for olhar a fundo talvez nem seja assim tão real, mas esses sentimentos estão envolvidos num paradoxo que nem sempre tenho a sobriedade necessária para constatar.

Ainda espero, na verdade, que num dia ou numa noite qualquer, numa esquina qualquer, o que me falta em essência eu descubra num estalo, num som, num toque ou num beijo. O que eu desejo é que toda essa desilusão, que deveria ser passageira, se vá e não mais volte, dando espaço àquilo que me traga o riso solto e brilhoso, em dias que não mais precisarei de combustível algum para seguir em frente e apenas minha mão, segurando em outra mão tenha calor suficiente para aquecer dois corações.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

The dream is over



O silêncio das tuas palavras não ditas é inversamente proporcional ao barulho dos meus pensamentos.

Queria poder ser tão hipócrita e forte quanto outrora, mas em todos esse tempo convivendo com você eu aprendi que vale mais a pena ser verdadeiro, mesmo escancarando as minhas fraquezas, porque isso me faz humano, me faz homem, e estar de bem comigo mesmo e estar ciente da lealdade perante os meus sentimentos me permite continuar em frente.

Queria dizer que o teu silêncio me agride e que não me agrada ser um calendário do ano passado, mas isso já foi dito por outro poeta, que também disse que não adianta entrar na dança depois que a música parou. Concordo.

Agora é a minha vez de ficar em silêncio e te mostrar o quão louco e ensurdecedor pode ser essa ausência de palavras, essa forma muda de expressar meus desejos e sentimentos. Chegou a minha vez de calar pra ser ouvido e se mesmo assim a percepção de erro não te tocar, é por que o universo já não queria mais que fôssemos nós.

Fica a certeza de que, apesar de toda a forma torta que as coisas aconteceram, tudo deu certo por uma porção de tempo que pra mim, as vezes, parece ainda que será eterno. Está muito claro pra mim que tínhamos, e ainda temos, tudo pra dar certo. Mas em algum momento nos faltou convicção. Perdemos a sintonia um do outro? Como, se eu ainda sinto todas as tuas frequências pulsando dentro de mim?

Não quero e não vou ser redundante e repetitivo, por que parece que estou falando apenas pra mim mesmo, e tudo o que havia pra ser dito, eu já disse. Não cabe mais eu me declarar e fazer promessas e juras de um futuro que sonho sozinho. Outro poeta já disse que sonho que se sonha junto é realidade, mas sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só.

The dream is over.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

4.1

Todos os anos, assim como acontece com a chegada do natal e final de ano, temos um dia em que uma espécie de autoanálise bate à porta como um agente do censo, te enchendo de perguntas, para as quais nem sempre temos uma resposta coerente ou convincente para dar naquele momento, querendo saber de você se as coisas andam como deveriam, se você está cumprindo as coisas com as quais se comprometeu, se você tem sido a pessoa que os outros esperam, se está disposto a continuar correndo atrás dos sonhos, se você não está fazendo menos do que poderia, se você é feliz... 

São coisas que passam pela cabeça quando a gente sente que está envelhecendo e as vezes tem a sensação de estar perdendo alguma coisa, deixando para trás. Pode ser apenas uma espécie de pragmatismo que me chega apenas por ser 06 de outubro, de novo.

Mas, fato é que, nessa simplicidade toda em que a vida se desvenda nos dias que sucedem um ao outro, a felicidade também se apresenta diariamente e da forma mais simples, na beleza de continuar me encantando com as coisas simples da vida, e por perceber isso é que eu tenho sempre muito a agradecer.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A nem tão triste história de um violão


Quando eu era criança havia lá em casa um violão Tonante, em tons de verde e preto que tinha um baita buraco na caixa, resultado de um dia em que, muito empolgado, um dos meus irmãos imitava os passos do Sidney Magal ao som de Sandra Rosa Madalena. Por anos ele ficou jogado por cima das camas ou pendurado na parede, sem uso, pois ninguém ali sabia tocar nada. Alguns anos mais tarde acabei ganhando outro Tonante por insistência de uma tia, mas que também não rendeu nada além de muito barulho e combinações atonais.

Foi quando, no meio da mudança de um dos meus irmãos dei de cara com aquele que, por muito tempo, foi o amor da minha vida. Era um Giannini clássico, do inicio dos anos 70, escala em madeira escura e que tinha a mão entalhada. Porém, ele tinha dois problemas: Primeiro, ele não era meu e segundo e mais grave, a mão estava quebrada, separada do braço. Uma lástima. Mas, pra minha alegria, naquele mesmo dia acabei ganhando aquele belo violão, que estava quebrado e tinha apenas as três primeiras cordas. Eu devia ter nessa época uns 11 anos.

Levei o violão pra casa e fiz alguns consertos nele. Cola, umas chapinhas de metal e parafusos. Era praticamente um Ilizarov para um braço de violão. Por algum tempo funcionou. De alguma forma aquele violão acendeu algo em mim e, a partir daí eu comecei realmente a me interessar pela música. Com a ajuda de um livreto que jazia jogado pela casa, aprendi a afinar aquelas três cordas que o violão tinha e fazer os primeiros acordes, ao menos os que eu podia usar apenas aquelas três cordas. Eu estava curtindo aquilo, e acho que passei uns seis meses ou mais tocando daquele jeito, até comprar um encordoamento completo.

Aquele violão passou a ser meu companheiro. De manhã antes da escola, depois do almoço antes do trabalho, e depois do trabalho até a hora de ir pra cama. Por muito tempo esse Giannini foi o meu instrumento, meu companheiro fiel das noites de seresta à luz das estrelas em algum lugar ermo da cidade.

É claro que quando eu coloquei todas as cordas o remendo que eu havia feito no braço já não dava mais conta e as tentativas de arrumar meu querido amigo se tornavam mais frequentes. Porém, minhas habilidades como artesão até então não colaboravam para isso, até que em dado momento ele teve que ser aposentado.

Alguns anos mais tarde eu já era baixista em algumas bandas e por conta disso acabei ganhando de um amigo o braço velho de um contrabaixo Giannini.

Plim-Plim, “idéia”!

Juntei aquele braço de baixo ao meu antigo violão Giannini (hoje eu não faria mais isso) e construí um tosco baixolão. Bem, não ficou lá aquelas coisas, mas assim eu pude estender um pouco mais o tempo de vida do meu querido violãozinho. Certo dia levei ele comigo ao programa da Margarete Camargo na TV Sudoeste, numa apresentação da Jardim Elétrico. Ele acabava sendo sempre motivo de riso por parte da gurizada. Eu gostava dele. Dediquei bastante do meu tempo em querer consertá-lo e ele me retribuiu da melhor forma possível. Ele me ajudou a ser Eu.

Insisti com ele até algum tempo atrás, mas acabei vencido. E, de instrumento de apoio aos meus parcos estudos no contrabaixo e decoração no canto do quarto ele passou a ser o lustre da sala em meu apartamento, numa divertida esperança de que a música sempre me traga a luz e a clareza das idéias.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

à dor de cabeça, um poema

Minha cabeça dói.
O brainstorm constante que frita meus neurônios.
a profusão de pensamentos conflitantes,
a sensibilidade sentimental superlativa,
a falta de coesão emocional.
Minha cabeça dói
e meu estômago se contorce
em virtude das incertezas desconcertantes
a que me proponho a manter.
Minha cabeça dói
em meus olhos faiscam vertiginosas imagens distorcidas,
sombras de uma realidade mal iluminada,
cores apagadas de um jardim quase sem flores.
Minha cabeça gira,
pensa e se mantém firme nas convicções
originárias do mais profundo do peito,
num pulsar atroz,
em badaladas ocas,
num Tum-tum incessante
com teu nome ecoando pelas veias
e gritando aos ouvidos quase surdos.
Ensaio para a loucura,
um coração que explode
e derrama aos montes
o que já não pode guardar.
ou,
só o amor.