quinta-feira, 23 de abril de 2020

Mesmo sem as roupas e as armas de Jorge

Bom dia, manhã, bom dia!!
Seja bem vinda, e traga com você a sorte de dias melhores, a paz e a alegria que tanto buscamos em nossas ações. Que sejamos bons na medida certa e que a maldade alheia jamais nos alcance, mesmo sem as roupas e as armas de Jorge. Que tenhamos todos a chance de amar sem medidas, sem receios e, ainda, sermos correspondidos. Amém.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

06 de outubro 2018

Hoje eu acordei com saudade. A primeira lembrança que me veio na cabeça foi de minha mãe, do jeito como ela agia em datas como a de hoje, lembrei da forma como ela me recebia na cozinha de casa e me abraçava dizendo em suas palavras simples tudo o que eu precisava ouvir, seus desejos para a minha felicidade e suas recomendações de que eu jamais esquecesse de rezar e de ter Deus sempre junto comigo. Invariavelmente isso sempre resultava em lágrimas felizes no meio de um abraço bem apertado.
Na hora do almoço, a mesa servida e, já sem surpresa, uma rosa ficava escondida debaixo do prato, colhida ali do seu jardim. Já era quase uma tradição aos aniversariantes da casa. Pequenos gestos, simples e inesquecíveis.
Hoje ao acordar senti saudade, pois sabia que aquele abraço não viria, mas mesmo assim não houve tanta tristeza, pois todos aqueles bons sentimentos e a quentura daqueles tantos abraços que recebi dela ainda estão em mim. Uma saudade cheia de boas lembranças, de coisas que me tornam o Beto de hoje.
Enfim, fato que, é 06 de outubro outra vez e já vão longe os anos da infância e adolescência, mas aquela inocente pretensão de permanecer jovem para sempre ainda persiste em mim. Eu tento, apesar da matemática insistir no contrário. Tento, aproveitando ao máximo os bons momentos, vivendo sua intensidade, aproveitando até o último minuto, até a última música, até a última cerveja, multiplicando, sempre que possível, abraços e sorrisos.
Quase nada me falta. Sou um cara feliz e vivo cercado de pessoas que tornam isso possível. Amar sempre, perdoar sempre... e vida que segue! Amém, e obrigado ao universo que sempre conspirou a favor do bem.

30 anos de Jardim Elétrico


O ano era 1989, fim de tarde cinzento, próprio do outono de Pato Branco. Lembro de alguém dizendo: hoje vai ter show dos piá do Duelo ao Entardecer, vamos?! Eu devia ter uns 14 anos nessa época. Não sabia quem era a banda, mas gostei do nome. Dias mais tarde assisti pela primeira vez a banda Jardim Elétrico, antiga Duelo ao Entardecer, no La Petisquera, um bar que ficava na Av. Tupi, no melhor estilo porão claustrofóbico. Rock and roll e muita fumaça. Meses depois, numa festa na boatinha do Clube Pinheiros, lá estava aquela banda legal outra vez. O lugar estava lotado, não conseguia ver muita coisa, mas o som era incrível, as músicas eram ótimas e o baterista usava uma cartola muito louca.

Pato Branco tinha lá suas peculiaridades. Para uma cidade pequena no final dos anos 80, ate que apresentava uma cena rock bastante viva e a Jardim Elétrico era a melhor e maior representante dessa cena naquele momento. Eu estava começando a me envolver com música nessa época, aprendendo a tocar um instrumento, tinha amigos que tocavam em banda de rock e queria muito fazer parte daquilo. Foi por meio desses amigos e também freqüentando as noites patobranquenses que eu conheci os irmãos Koth, além do Leandro Nesello, que era o baixista da banda. Não éramos amigos, mas trocávamos algumas palavras vez ou outra. Eu acompanhava nos bastidores, como espectador e fã da trajetória da banda. 

A Jardim Elétrico era sinônimo de rock and roll e boa música. Onde estivesse tocando a Jardim a festa era boa. Claro que havia outras bandas, mas a Jardim era a mais expressiva. 

Lá na metade dos anos 90 os caras sumiram, se mandaram pra Curitiba pra estudar e seguir a vida. Tocaram por lá também durante um tempo e, sempre que voltavam a Pato, rolava alguma coisa legal. O bar do momento era o Frango e Fritas, palco de muitas noites de rock e boa música. Tinha também o farol 6imeia, um porão onde a Jardim ensaiava anos antes e que acabou virando um bar. Marcinho na guitarra, Julio na bateria e o Nesello no baixo. Quando não era em algum bar, rolava uns fins de tarde com rock feito na rua, tudo meio na base do improviso e feito no peito mesmo. O lance era não deixar a música parar. 

A Jardim, além de levar no repertório os grandes clássicos do rock, sempre fez questão de mostrar suas músicas autorais. Heill Hippie, Lunático, Benedicto... músicas que se tornariam clássicos patobranquenses.

Lembro de um show que rolou no Teatro Naura Rigon. Era despedida do Julio. O cara estava indo pra Londres e resolveram fazer um show em alto estilo. O Mauro, grande guitarrista, irmão mais velho dos Koth e também o principal compositor das músicas da Jardim veio de Curitiba especialmente para o Show. O Duda Sartori era o baixista no momento, Julio no piano e teclados e o Marcinho na Guitarra e vocais. Esse show foi lindo e também marcante, pois a partir dai muitas mudanças viriam para a banda. 

O tempo passou e eu vi outros novos músicos fazendo parte da formação da Jardim. O Pique entrou como baterista, o Lucas Messias na guitarra base. Mas a essência continuava a mesma.

Em 2001 eu estava no Frango e Fritas bebendo algumas cervejas quando chegaram Marcio e o Pique com um fardo de CD’s. Era a cria da Jardim que tinha tomado forma e ganhou vida. Janelas e Portas foi lançado na Expopato daquele ano e teve grande aceitação por parte dos fãs da banda. Músicas que embalaram toda uma geração estavam agora imortalizadas em formato digital.

Eu, que volta e meia subia no palco de metido para fazer um ou outro backing vocal pro Marcio, em 2003 recebi um convite para fazer um show somente com músicas dos Beatles, minha grande paixão. Eu tocaria baixo e faria segunda voz, Pique na bateria e Lucas Messias na guitarra base. O show aconteceu na Boate Age, e foi bem legal. Aproveitamos o embalo e fizemos uma meia dúzia de outros Shows com o repertório dos Beatles, terninho, gravata e coisa e tal. Eu fui ficando, ficando e fiquei. Meio sem querer querendo, virei baixista da Jardim Elétrico.

Nos anos que se seguiram fizemos muitos shows, embalamos muitas noites ao som do rock and Roll. Em 2008 o Julio voltou de Londres para Pato Branco, e prontamente assumiu os teclados dando novo fôlego para a banda. Tocamos um bom tempo nas noites da cidade e região, tentamos coisas novas, colocamos um par de Sopros para acompanhar um repertório todo voltado pro Soul e Blues, mas com a agenda bastante apertada, shows em quase todos os finais de semana, o lance da banda acabou deixando de ser um prazer e se tornou um compromisso, e isso foi frustrando a todos. Todos éramos adultos, com família e trabalho. Iniciava ai um período de pausa da Jardim Elétrico que durou bem uns oito anos. O Pique mudou para Curitiba e a banda parou. Fazíamos algumas apresentações esporádicas em formato acústico, só pela curtição da música e da companhia.

Agora, em 2019, novamente a banda se reúne e, completando 30 anos de boas relações com a música, volta à ativa com sede total pelo bom e velho roquenrou. Marcinho continua na guitarra e com sua voz cada vez mais afinada. Julico com seus teclados, pianos, guitarras e o potente vozeirão. Quem da conta das baquetas agora é nosso amigo Sidnei dos Anjos Jr, o Foca. Eu, com muita alegria ainda continuo fazendo os baixos e alguns vocais, vez ou outra errado, é fato. 

Certo é que a Jardim Elétrico completa seus 30 anos de estrada e está aí, com o sangue quente nas veias para muitas mais noites e dias com o melhor som, com muita sede e com muita paixão pela música.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

pra entender

Se em algum momento da leitura desse texto você achar que eu to falando sobre política ou algo assim, não... Eu tô falando de amor e amizade.
Quem me conhece sabe que sou da paz e prefiro sempre pensar e crer no melhor das pessoas. Entendo que todo mundo carrega a sua verdade, mesmo que as vezes não seja a mesma que a minha.
Dentro do nosso pequeno círculo de convivência, amigos, família, por tantas vezes precisamos fazer concessões, baixar a bola, ouvir e aceitar opiniões que não batem com as nossas. E, dentro dessa realidade, nem sempre conseguimos nos ver livres de uma ditadura moral ou de uma censura eloquente sob o viés daquele que tem na palavra a pretensa vontade dominadora da verdade.
Isso acontece com pais e filhos, marido e esposa, namorado e namorada e com os amigos em geral, seja lá qual for o assunto. É natural que, quanto mais íntima seja a relação, maior a liberdade para o flerte com a tentativa de domínio da situação... Se faz importante ter a razão.
Yes, we need education.
E, para fechar esta pouco clara explanação de ideias difusas, em tempos de lendas do rock ativistas e ideais políticos, quero unificar duas frases do meu Artista preferido, este sim, ativista, de bandeira em punho nas ruas, engajado em lutas pela igualdade e paz, desde as letras de suas músicas até a tentativa de uma revolução iniciada em uma cama de hotel: You must have learned something in all those years... ALL YOU NEED IS LOVE!*
* Você deveria ter aprendido alguma coisa nesses anos todos... TUDO O QUE VOCÊ PRECISA É AMOR!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Seis Setênios

Outro dia, conversando com um amigo, este me falou sobre uma teoria de que, a cada sete anos, tudo se renova em nossa vida. É a chamada teoria dos Setênios, que pelo que andei pesquisando é baseada na observação da natureza, da qual todos fazemos parte, e também tem valor em várias culturas pelo mundo afora onde o número sete parece ser mesmo místico.

Enfim, parece que completei seis destes ciclos e, dando a isso a devida importância ou não, hoje estou iniciando o sétimo ciclo de sete anos. Possivelmente, nenhuma mudança drástica aconteça mas, de qualquer forma, espero que venha com muitas "boa-venturas".

Quero seguir com fé e passo firme, agradecendo sempre a presença das pessoas que amo, minha filha, minha família e meus amigos do coração.

Quero que a música nunca pare, porque preciso ainda de muitas noites de palco mal iluminado, cervejas geladas e guitarras gritantes, mas espero que o retorno de vocal esteja sempre bem equalizado e forte, por que com a idade a voz e ou ouvidos estão ficando mais fracos.

Que Deus me permita ainda viver bastante com saúde, paz, alegria e em boa companhia. Amém!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

fogueira e luau

Somos música, somos fogo.
Respiramos a música no ar da noite enfumaçada,
aquecendo nossos corações analógicos enquanto o sereno cai suave sobre a pele.
São coros de vozes nem sempre tão afinadas, mas quando juntas capazes de calar o mal e propagar a semente do bem.

terça-feira, 7 de março de 2017

Combustível

Eu acho que já tive um pouco de tudo da vida, mas sempre tive em mim uma certa parcela de descontentamento que nunca me deixou sossegar, e por outro lado me manteve sossegado até demais.

Já tem um tempo que eu venho cansado. Cansado dos dias, do tempo, das pessoas, de mim. Eu me olho no espelho e a pessoa que reflete nele não tem mais tanto a ver comigo. Minha casca tem envelhecido muito mais que eu mesmo e essa dissonância entre o eu de dentro e o eu de fora tem me incomodado bastante.

Tenho estado tão envolvido e conformado com a rotina de anos que o tempo deixou de ter significância e eu me deixo arrastar como um zumbi afônico, entre murmúrios que lamento, mas pouco faço pra achar a cura. Parece que o ar que eu respiro já não queima como deveria e o cérebro responde lentamente.

Apenas sinto que algo me falta e há tempos não consigo achar o sentido sobre as coisas que vivo, então apenas deixo os dias irem passando, um a um.

Perdi um pouco da fé nas pessoas, nos relacionamentos, nos amores. Talvez por saber, ou exatamente por saber que tudo só faz sentido quando compartilhado de maneira equilibrada e verdadeira, essa sensação de solidão não se desfaça tão facilmente.

Seria mesmo fácil se pudesse me servir de momentos insólitos, e conectado a uma tomada qualquer tivesse minha energia e determinação restauradas, meus planos e sonhos não se perdessem nesse véu embriagado, em passos trôpegos e luzes difusas. Mas, me vejo meio mecânico e apenas sigo encostando aqui e ali para um pouco mais desses combustíveis multifuncionais que me levam um pouco mais longe, mas nunca me deixam realmente completo.

Eu sei que tudo isso parece meio pragmático demais e que, se for olhar a fundo talvez nem seja assim tão real, mas esses sentimentos estão envolvidos num paradoxo que nem sempre tenho a sobriedade necessária para constatar.

Ainda espero, na verdade, que num dia ou numa noite qualquer, numa esquina qualquer, o que me falta em essência eu descubra num estalo, num som, num toque ou num beijo. O que eu desejo é que toda essa desilusão, que deveria ser passageira, se vá e não mais volte, dando espaço àquilo que me traga o riso solto e brilhoso, em dias que não mais precisarei de combustível algum para seguir em frente e apenas minha mão, segurando em outra mão tenha calor suficiente para aquecer dois corações.