terça-feira, 12 de junho de 2012

Eu te odeio, Reunidas


Eu te odeio, Reunidas. 

Mas essa é mais uma dessas relações de amor e ódio que a gente acabava tendo durante a vida. Assim como você me faz alegre a cada chegada, mesmo com atrasos que me põem sapateando, aflito e ansioso, quando chega a hora da partida é que a coisa fica tensa, estranha e dolorosa. 

Nossa relação de amor e ódio começa antecipadamente, quanto temos que fazer uma troca, a princípio, justa, de um lugarzinho nada aconchegante para que tu tragas minha alegria pra mais perto de mim e, em contrapartida, deixar alguns reais em seu bolso largo. Até ai, tudo bem, valiosa troca. 

Passados alguns dias de extrema alegria, de viva felicidade, lá vem você novamente, reclamando sua carga, com hora marcada, como um filme triste que se vê por livre opção na sessão das dez.

Eu te odeio, Reunidas, mas vai, leva meu amor, vinha alegria e minha vida para longe outra vez, para que, assim, eu jamais esqueça do quanto ele é importante e valoroso pra mim.

Vai, por que sei também que logo tu me trará ele de volta, mais forte e bonito do que jamais foi.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

inverno outra vez

eu sempre gostei do inverno...
sempre me senti bem com o frio
Talvez por que assim
eu tivesse que procurar uma forma de me aquecer
roupas, cachecois, meias de lã
até a moda muda no inverno
mudamos todos.
parece até que as pessoas tentam passar 
o seu calor interior umas para as outras
com pequenas confraternizações
amigos reunidos ao redor de garrafas de vinho
comidas quentes
fogões acesos
e eu
ja disse
gosto do frio.
do inverno.
Não sei se sempre foi assim, 
mas eu, em algum momento
aprendi a gostar
desde o tempo que eu era criança
que minha mãe me punha no banho
e depois me deixava em frente ao fogão de lenha
contando alguma história
enquanto esperava meu pai e irmãos que vinham do trabalho.
Trago boas recordações de invernos passados
muitos tragos em invernos passados
Mas
o que não gosto 
e não quero
é sentir frio.
Nem no corpo 
nem na alma
preciso estar quente por dentro
e
por fora da-se um jeito
um trago, um fogo, uma prosa
e logo o inverno passa
tudo passa
mas a gente,
fica

solidão X orgulho


invariavelmente atrasado, pra tudo na vida
e a solidão, maltrapilha
estremece pelos cantos
enquanto o orgulho, garboso
escurece os olhos,
tira o brilho das cores
e fomenta essa tristeza
que há muito, me persegue.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

e dói


Insatisfação que mata
desejo de não sei quê
ânsia em ser
em ter
em estar
eu queria não querer
não depender
poder não sentir
essa mazela
esse flagelo da alma
essa fenda que corrói
e dói
e dói
e dói

sexta-feira, 18 de maio de 2012

e dai?


e dai, se ninguém lê o que eu escrevo
se não ouvem o que eu canto
se não entendem o que eu digo
ninguém também sabe o que eu sinto!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

surreal


Busco algo que me falta.

Enquanto isso, preencho as lacunas com overdoses maciças de música, muita música. 
E, quantas vezes me pego ouvindo uma música pela milésima vez, e ela me toca de maneira diferente, me emociona, me apaixona pela vida, me faz querer chorar, me traz saudade de um tempo que passou ou de algo que ainda nem vivi.
O que me faz pensar também que, se no passar de uma vida, essa busca der em nada, ao menos a trilha sonora foi feita.
Agora, pensar que no fim, depois de ter cruzado a linha final, achado o fim da picada, a luz no fim do túnel, descobrir que lá não exite música, que não terei mais os tantos gigabytes de mp3, os muitos CD's, nem o "taterca Linear" do Sr. Clarimont pra ouvir os discos de vinil, vai ser triste, de mais. 
Pense, ser condenado a passar a eternidade sem música, só na harpa, e anjinho voando de uma nuvem pra outra. Não não não, tem de existir o rock and roll também do lado de lá. Quem sabe um céu só pr'os rockeiro. 
Mas, sei lá, se for assim, talvez seja chato demais. 
O emocionante seria pensar num paralelo surreal, de repente cruzar com o John Lennon fazendo um dueto voz e violão com o Jim Morrison, e o Curt Cobain esperando pra dar uma palhinha.
E ai, esse céu ta bom pra você?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

soneto


oito anos,
e naquele dia então, ela sorriu
mas acho, lembrando agora
que só os olhos ainda eram os mesmos
há muito não os via brilhar
e chamuscaram os meus.
e me tomou pra si
sem chance,
sem chave
sem palavras
nem precisava
e assim,
moldados pelo tempo
marcados pelo destino
num laço
um aperto sem nó
sem dó
e sem remédio
me arrancou do tédio de dias sem fim
e o mundo,até então quieto
agora cirandava ao nosso redor
multicolorido
reabastecido do combustivel que alimenta a roda da história
e em gloriosos momentos felizes
fomos
um no outro
um do outro
dois em um.